Viagens, vida na Índia, outros olhares, outros cotidianos, compreensões radicais das R.I. e um buffet completo de bizarrices e prazeres para os famintos por pensamento critico e vida com gosto de incerteza. ----- Travels, life in India, other perspectives, other routines, radical understandings of I.R. and a buffet of oddities and pleasures for those hungry for critical thought and life with taste of uncertainty.
Monday, 1 October 2012
O ETERNO SÉCULO DE HOBSBAWN
Friday, 12 August 2011
100 Anos de Solidão
Talvez,
na confusão das covas,
o destino venha a corrigir seu erro ao me dar a vida.
Até lá, o jeito que há é continuar vivendo
com a certeza de não ser o primeiro,
e a dor de não ser o último
bem no meio dessa estirpe marcada
a cem anos de solidão.
Monday, 8 August 2011
CAFÉ
Sempre odiei café,
nunca vi graça naquele copinho de pretume e cheiro forte
não me fazia sentido sentir o gosto do quente
mas hoje,
de repente,
o diabo do pretinho me chamou com força
e quando menos notei estava num shopping de madame,
ouvindo uma bossa que nunca foi o meu forte,
lendo pra esquecer das fraquezas,
e me afogando naquela negridão dos infernos,
...
que me lembrava o lar,
e descia quente esfriando um pouco do calor que me consumia.
Eu precisava daquele gole pra não me afogar pra sempre,
naquele gosto que odeio encontrei um prazer que achava ter perdido
por ai
Enquanto me sentia forte naquela poltrona,
sentia o cheiro de café moído,
e bebia
sem açúcar
aquele pretinho feio,
e não entendia
porque estava feliz
...
e o Poetinha
me dizia,
que pra fazer um samba com beleza,
era preciso um bocado de tristeza,
e que é melhor ser alegre que ser triste,
que a alegria é a melhor coisa que existe.
E justo hoje,
que eu queria tanto fazer um samba,
acabei aprontando poesia.
Friday, 5 August 2011
O Inferno de P.
Ele chegara reclamando do calor,
choveu.
Pela noite até bateu um vento gostoso.
Inútil
(…)
a chama que lhe consumia
não vinha de fora
Seria mais uma noite de peito quente
mais uma noite de sonhos queimados
(…)
quem dera não sonhasse tanto,
e a falta de sonhos o matasse
por inanição
- Aquele inferno que se apoderava dele
“Sem saber ao certo como, talvez por estar sonolento, perdeu-se em uma selva sombria”.
Suas pegadas não indicavam direção,
apenas faziam ler em seus olhos
que a esperança
dali em diante
não teria
vez.
“Deixai toda esperança, ó vós que entrais”.
O inferno dos outros ganhava espaço em seu ser
e atravessá-lo agora seria uma tarefa solitária,
para o deleite de sua Beatriz perversa
pantagruélica pelo gozo
de um Virgílio que guardava dentro de si,
(...)
fundo no limbo de suas carnes
quentes
o suficiente
para transformar o Cocite em termas.
Tuesday, 5 July 2011
VERDADES
da saia
que sobe e desce
na noite.
O orgulho está no rosto
que apanha.
O amor
está no beijo e no ventre
que mudam de mão
em mão
ao sabor das carteiras
abertas
que se esvaziam
por gozo.
A majestade está no reino
da rua
e na coroa
de penas
…
a verdade
jaz
no sorriso
das putas
Monday, 4 July 2011
SONHOS
Às vezes em meus sonhos estou numa cadeira
de balanço.
Cabelos brancos e bebo algo quente,
não sinto muito o gosto do que desce por minha garganta,
mas as gotas que escorrem pelo canto da boca
me satisfazem.
Vejo vultos,
ouço ruídos
e volto minha cabeça para a TV
como se estivesse
assistindo.
Uma jovem me pergunta se estou bem,
tento lembrar seu nome,
por fim respondo
que sim.
Num esforço movo a cabeça
e espremo os músculos por um sorriso
A jovem finge que acredita
eu finjo que me importo,
ela volta para sua juventude
e eu me ponho a lembrar da minha
Lamento cada felicidade,
e percebo que cada sorriso sincero foi um nó mais firme em minha própria forca
Quase me movo de tanto terror,
mas então me faltam as forças
e me lembro de que estou velho
fraco
cansado
…
breve estarei
morto.
Me afundo uma vez mais na poltrona
e o mundo das lembranças volta a ser o dos vultos
e dos ruidos
e volto minha cabeça para a TV
como se estivesse
assistindo.
Ai então acordo assustado,
num gesto firme saio da cama
sinto os músculos se agitarem
e percebo
que tenho força
que sou jovem
que estou disposto
…
e que não tenho TV em casa
Saturday, 2 July 2011
O QUE ME RESTA?
de meus próprios amigos,
de meu passado gostoso, e do futuro anseado.
À margem e à sombra,
sigo ensurdecido pelo som de meus silêncio,
enfraquecido por minha resiliência,
assassinado pela vitalidade que penduro no rosto,
fraco de mais para desistir,
forte de mais para admitir...
hipócrita o suficiente para continuar,
bebendo as gotas de um mundo que poderia ser,
vivendo passagens de uma vida que poderia ter.
Louco
perdido
fodido.
Incoerente e descrente,
sigo enganando com um sorriso contente àqueles que não me olham nos olhos,
esta parte de mim
que não mente.
Talvez se houvesse maneira,
de olhar eu mesmo os espelhos de minha alma doente
eu pudesse fazer algo mais, além de seguir
em frente...
qual o louco que se perde no deserto,
vou vivendo o que me resta,
à procura do que imagino,
fantasiando o passado num futuro estraçalhado
gastando as energias que já não tenho em busca de um oasis que nunca existiu.
Viciado em adrenalina,
o coração já não sabe por que bater,
as pernas não sabem pra onde correr,
e a insanidade é a única conclusão racional que emerge em minha mente.
Uma efusão de contrários sugada por um buraco negro,
vazio de emoções e desejos,
faz de mim um personagem normal...
alguém que visto de longe simplesmente caminha pelos trilhos da vida,
de estação a estação...
… passa lo que passa, sea lo que sea...
próxima estación:
ESPERANZA!
Thursday, 30 June 2011
O PALCO DO ROSTO
Diziam os olhos.
- Não me castre.
Respondia o sorriso.
Brigavam sempre naquele rosto machucado pelos golpes de um e outro.
Um certo dia souberam os ouvidos que a briga havia então terminado,
após vinte e poucos anos de conflito,
vencia vitorioso o sorriso,
que se esparramava provocante
quase tocando seus inimigos derrotados.
Os olhos,
para sempre fechados,
morriam de vergonha.
O MONSTRO DO ARMÁRIO
quando somos crianças
acreditamos que ele esta lá.
No início
temos medo de abrir as portas
depois
é o orgulho que nos impede
e, quando menos se nota,
já estamos
velhos
acreditando em guerras,
mentiras,
traições e doenças
…
são tantos os demônios do homem
que, às vezes,
sentimos saudade dos monstros de nossa infância,
e quando abrimos enfim as portas do armário,
só temos roupas,
dívidas
e um whisky
escondido,
atrás das meias e cuecas.
Wednesday, 29 June 2011
O LEVANTE
contra mim
minhas pegadas se juntam
para me esmagar
Sou confrontado por minha tirania
e minha vaidade
Penso em desistir,
mas sou apunhalado por meu orgulho
e permaneço sangrando sorrisos contra meu passado
…
Tuesday, 21 June 2011
SOBRE HERÓIS, LÁGRIMAS E MADRUGADAS

Às 3:30 da madrugada e,
se cada dia é um universo,
cada madrugada é uma constelação deles...
As luzes artificiais e o cinza não me deixam ver a lua, as estrelas, ou mesmo um pedaço ínfimo do céu,
me volto para a telinha do computador
esperando mais um pouco de nada
e, de surpresa,
me enchem os olhos as luzes de uma estrela morta.
Ayrton Sena não brilhou nos céus,
mas nos asfaltos...
ousou ter voz
opinião
e forçou sua vez num dos meios mais sujos de nossos tempos.
Fez literalmente poeira da máfia do GP 1,
falou o que não devia,
ganhou quando não convinha,
bateu quando não podia...
e morreu...
Pelo bem desse poema haveria de casar-se a morte com um par de impacto,
mas sendo Senna o morto,
talvez seja o caso de não poder,
em seu caso não houve tempo...
morreu solitário o herói de uma época,
morreu contrariado num carro que não queria
[nem rendia]
morreu numa curva em que simplesmente não morreria.
Fico pensando,
talvez tenha se passado da morte, estando em Ímola para ceifar Ratzemberger,
ter apenas se encantado
com o Sorriso, com os sonhos e com os domingos,
e ciumenta como é,
tenha decidido levar só para ela esses domingos que deviam ser eternos.
É duro,
no despertar de uma terça-feira,
descobrir que há 17 anos
Ímola matava meus domingos
transformando o “Tema da Vitória” em requiem.
No fim das contas
acho que vale
uma lágrima.
==> Link para assistir online a um filme bem recente sobre o Senna:
http://wwwstatic.megavideo.com/mv_player3.swf?image=http://img20.megavideo.com/94ee3d86065a4f3bc150bfa308427c9b.jpg&v=FPO6Y4RR
Sunday, 19 June 2011
AFAGO
do tapa,
Há ainda o expor
da cara
e no afagar
do rosto
o gosto
da vitória
de meu
conquistador,
digerida e
cagada
esfregada com o
afago
em minha
cara.
Friday, 17 June 2011
O FRIO

tocava uma mistura de punk-cigano
e outras merdas,
ao meu lado estavam os melhores,
amigos.
acima
meus pais.
o cheiro de vinho, whisky e cordialidade enganava,
sonhar não foi difícil,
acordar também não
duro foi descobrir que o brilho nos sorrisos,
de boa noite e bom dia
talvez
estivessem estado lá
na calada da noite
quando jogaram meu whisky
no lixo.
não são os 200 reais da garrafa,
talvez tenha sido a traição...
duro mesmo é receber o beijo
de Judas
sem ter nem mesmo um copo de whisky
para suportar,
o frio.